quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Frevos para clarinete: uma história de resistência a cada passo

Lourival Oliveira


Resumo:
Numa contextualização historiográfica, procuramos evidenciar os processos sociais determinantes na constituição de um perfil identitário, que se relacionaram com a presença da clarineta nesta referida cena musical, no contexto do carnaval e do desenvolvimento da banda de música no Brasil, especificamente no Recife. Esta abordagem permitiu-nos apreender melhor a dinâmica das transformações das práticas musicais em si e a relação dos músicos com a sociedade e suas mutações. Observamos, neste caráter de dinâmica e transformação, que a música apresenta-se como um vetor de comunicação entre a sociedade, sua cultura e, consequentemente, com os componentes identitários decorrentes. Ainda fizemos algumas considerações, do ponto de vista técnico-instrumental e composicional, sobre elementos que influenciaram os componentes constitutivos destes frevos e que podem contribuir para a performance e pedagogia do instrumento, a clarineta. Apontamos para o aproveitamento do material supracitado, de forma que seja considerado mais ampla e profundamente o contexto social na formação do instrumentista. Procuramos, portanto, abordar o frevo como produto musical da banda de música. A banda foi vista como agente cultural e/ou como fonte geradora de novos gêneros e formações instrumentais no contexto do desenvolvimento da cultura pernambucana e suas influências externas. Abordamos também a presença da clarineta neste panorama musical pelo fato da existência de frevos para clarineta solo incrementar a história da clarineta no Brasil. Procuramos, neste trabalho, adequá-los aos dados coletados, sendo relevante ainda, considerar alguns fatores como: indústria fonográfica, mídia em geral, política cultural local e global que interferem diretamente no controle conceptivo da música popular. A partir deste enquadramento foram estudados diferentes universos musicais e sociais, associados à cultura pernambucana e, que de algum modo, constituem vizinhanças conceptuais para a análise quer do frevo quer da clarineta. Portanto, com evidência no caráter histórico da clarineta e do frevo, dentre as diversas categorias do gênero, focalizamos os frevos para clarineta solo e com intervenções solistas para ela, escritos por clarinetistas compositores. Observamos alguns aspectos do tratamento composicional, considerando o fato dos compositores serem clarinetistas, dentro de um elenco de clarinetistas que se destacaram no universo do frevo, quer como compositor, quer como instrumentista. Também, ressaltamos componentes interpretativos, a partir de análise de gravações, focalizando as suas contribuições para a performance instrumental.


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