sexta-feira, 21 de julho de 2017

Partitura - Recordando Levino Ferreira

Esta partitura foi editada pela aluna Marília Costa Silva, da Orquestra de Sopros de Pindoretama, que participou do Curso de Editoração de Partituras Finale-2010, promovido pelo Ponto de Cultura Amigos da Arte – Pindoretama em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado.

DOWNLOAD: Recordando Levino Ferreira - Zumba

domingo, 4 de junho de 2017

Musica Popular do Nordeste - Frevo (1972) - Discos Marcus Pereira

Marcus Pereira, o ‘guardião’ da música popular e regional

Marcus Pereira não compunha, não tocava instrumentos e não cantava, mas foi um personagem importante para a música brasileira em uma de suas décadas mais frutíferas: a de 1970. Para muitos, era um empresário quixotesco que quis transformar a produção musical regional brasileira em sucesso de mercado e que, com a mesma disposição, atacava as grandes gravadoras e os hits de televisão. Na lembrança dos amigos, sobressai a imagem de um sujeito de coração grande, capaz de empregar gente ameaçada pelo regime militar e “adotar” artistas que considerava talentosos. Todas essas versões se misturam numa personalidade heterogênea, motor de uma empresa que lançou alguns dos mais interessantes discos brasileiros entre 1974 e 1981. De Cartola à Banda de Pífanos de Caruaru, de Ernesto Nazareth (pelas mãos do pianista Arthur Moreira Lima) a Paulo Vanzolini, do Quinteto Armorial a Elomar, a Discos Marcus Pereira abriu espaço para compositores e intérpretes que transbordavam em criatividade, mas encontravam pouco espaço nos escaninhos das majors.

Advogado de formação, Marcus migrou logo cedo para a área de publicidade e abriu sua própria agência na década de 1960. Foi lá que começou a flertar com a produção musical: passou a fazer discos para dar como brinde aos clientes. Mais tarde, em 1973, apostou todas as fichas em uma gravadora independente. Aquele ano foi para arrumar a casa, e apenas cinco discos foram lançados comercialmente (todos feitos como brindes nos anos anteriores: os quatro volumes da coleção “Música popular do Nordeste” e “Brasil, flauta, cavaquinho e violão”). Em 1974, ela apareceu de fato para o mundo, lançando mais de 20 discos em 12 meses. A Discos Marcus Pereira não levava o nome do dono à toa: a empresa vivia, de fato, em função de seus humores e sonhos.

Sonhos que deram origem a discos pioneiros. A robusta coleção “Música Popular do Brasil”, que começou pelo Nordeste e depois teve mais 12 discos destinados às outras regiões, é um exemplo. A aposta em Cartola é outro, mas guarda um detalhe curioso: relutante no primeiro momento, o empresário acabou convencido por seu sócio Aluizio Falcão e pelo produtor musical Pelão a fazer o disco, que acabou sendo saudado como um dos melhores de 1974. Com cerca de 140 lançamentos em nove anos, o catálogo impressiona em quantidade e variedade. E, para defendê-lo em suas convicções culturais e empresariais, Marcus se armou com tudo que podia, lutando contra um mercado já dominado e elegendo inimigos complicados.

Com convicções fomentadas por movimentos da época, como o Centro Popular de Cultura (CPC), por polêmicas como as da MPB contra as guitarras elétricas e por discussões folcloristas, ele ficou ainda mais determinado a se dedicar apenas ao mercado fonográfico após uma viagem a Recife, em 1963, quando conheceu o frevo de perto. Para Marcus, a “legítima” música brasileira devia fazer parte dos números grandiosos daquela indústria.

Enquanto isso, o trabalho com publicidade o desinteressava cada vez mais. No livro sobre O Jogral, bar “de resistência cultural” que frequentava em São Paulo, escreveu: “É difícil gostar de ser cúmplice de interesses que vivem de estimular, ao delírio, o consumo numa sociedade onde apenas uma minoria tem condições de consumir”.

Quando a coleção do Nordeste ganhou os prêmios Noel Rosa (da crítica paulista) e Estácio de Sá (do Museu da Imagem e do Som carioca), ele teve certeza de que a mudança de rumos era acertada. Anos mais tarde, no lançamento da coleção Centro-Oeste/Sudeste, escreveu no encarte: “Essa repercussão, na verdade, deve-se à beleza e comunicatividade de uma riqueza enorme que estava enterrada, neste país de tantas riquezas enterradas, e da qual nós colhemos pequena amostra, que é a cultura de nosso povo”. Os discos da coleção “Música Popular do Brasil” alternavam gravações documentais com as de artistas consagrados, como Elis Regina (Sul) e Martinho da Vila (Sudeste/Centro-Oeste). Este último, aliás, deixou o exército para se dedicar apenas ao samba graças ao estímulo de Pereira.

Ao apostar todas as fichas em discos “de conceito”, sem ter um elenco fixo ou coletâneas de sucesso, Marcus Pereira tentou criar um nicho de mercado, mas logo viu que não seria fácil. Ao longo dos anos seguintes, começou a ter problemas de distribuição e nas parcerias com gravadoras de maior porte para fabricação dos vinis. Seus esforços, em geral louvados pela imprensa, muitas vezes eram também questionados em relação a práticas paternalistas — e ele não se furtava em entrar em discussões por meio dos jornais. Aos poucos, as dívidas foram aumentando e saindo do controle. Além disso, Marcus enfrentava problemas pessoais. Em 1981, depois de voltar de uma viagem de férias, deu fim à vida com um tiro.

Em 1982, a Discos Marcus Pereira encerrou suas atividades. O catálogo foi absorvido pela Copacabana, empresa que também não resistiria muito tempo, passando o material em seguida para a ABW, que relançou “Música Popular do Brasil” (em 1994), entre outros, em CD (tiragens logo esgotadas). Hoje o acervo pertence à EMI, que por sua vez foi comprada por um consórcio liderado pela Sony.

A gravadora foi uma das precursoras na busca da “independência” fonográfica no Brasil — ainda que esse termo ainda não fosse usado. Nos anos 1980, os mercados internacionais começam a atentar mais para as músicas locais. O termo world music, criado no fim da década, passou a reunir todo tipo de canção folclórica ou étnica. Quatro décadas depois do início da aventura de Pereira, se o que ecoa de seu discurso pode soar um tanto datado para alguns, o impacto dos discos que lançou segue reverberando nos ouvidos das novas gerações.

Por Helena Aragão (20/12/2014)


Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/marcus-pereira-guardiao-da-musica-popular-regional-14879049


Baixe a DISCOGRAFIA da Discos Marcus Pereira AQUI.



DOWNLOAD: Frevo (1972) - Discos Marcus Pereira

Faixas:
01 - Saudade
02 - De Chapéu de Sol Aberto
03 - Um Sonho que Durou Três Dias
04 - Recife
05 - Trio Elétrico
06 - Tubarão na Onda
07 - Batendo Biela
08 - Ai Vem os Palhaços
09 - Evocação Nº1
10 - Hino do Batutas de São José
11 - Valores do Passado

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Spok Frevo Orquestra - Frevo Sanfonado (2015)

Desavisados podem supor que Frevo Sanfonado, o terceiro disco de estúdio da Spokfrevo Orquestra, seja forró, por causa da sanfona, ou uma inovação introduzida na instrumentação do frevo. Nem um, nem outro. Há pelo menos dez anos, nos concursos de música carnavalescas realizados no Recife, sanfona, flauta e guitarras tornaram-se instrumentos solo em frevos instrumentais. O sanfoneiro Beto Hortiz, o flautista César Michiles e o guitarrista Luciano Magno forma premiados com frevos de rua compostos para seus respectivos instrumentos.
Quase seis décadas atrás, o frevo já figurava entre os ritmos embutidos no coletivo “forró”. Sobretudo no anos 60. Os sanfoneiros, e tocadores de oito baixos, costumavam estampar frevos no repertório de seus discos. Já em seu pioneiro LP de estreia, Oito Baixos (1957), Gerson Filho toca Frevo Maluco (dele e dos Irmãos Orlando). Lançados entre 1961 e 1963, os três primeiros LPs de Abdias outra lenda dos oito baixos, trazem, cada qual, uma faixa de frevo.
O maestro Spok retoma esta pratica meio esquecida com a SFO gravando uma dúzia de composições, a maioria assinadas por sanfoneiros. Uma seleção abrangente que vai de Sivuca (que gravou, entre 1980 e 1984, a série Forró e Frevo) a Gennaro (ex-Trio Nordestino), passando pelo Mestre Camarão (falecido enquanto este disco era gravado), o gaúcho Renato Borghetti, o paulista Toninho Ferragutti, o jovem cearense Nonato Lima, entre outros.
O que diferencia a música de Frevo Sanfonado, dos frevos gravados com sanfona, é que ela se incorpora à orquestra como mais um elemento, rachando solos com sax, trompete ou trombone, e mesmo com outra sanfona. Em De Cazadeiro ao Recife, o sanfoneiro Vitor Gonçalves (autor da música), e o contrabaixista de Hélio Silva são os solistas. Em Sax Sanfona, Gennaro dialoga com o sax do maestro Spok. Enquanto Frevo Sanfonado (Sivuca), tem Dudu do Acordeom e Johnanthan Malaquias compartilhando os holofotes com o sax de Rafael Carneiro, e o trombone de Thomas de Lima.
O disco tem 14 convidados, boa parte deles de sanfoneiros, enquanto apenas uma das composições é de um integrante da SFO, Maluvida, do guitarrista Renato Bandeira, frevo lançado, em 2013, no disco Renato Bandeira & Som de Madeira (com a SpokFrevo Orquestra).
Obviamente, o frevo com sanfona é diferente do executado por uma orquestra tradicional. Aqui esta diferença é minimizada pelos arranjos que aproximam o acordeom dos naipes da SFO. São vários arranjadores. O maestro Clóvis Pereira, um dos maiores da música brasileira, por exemplo, assina o arranjo de Que Saudades de Seu Domingos, de Beto Hortiz.
O maestro Spok encarrega-se de três arranjos, e os demais foram distribuídos por músicos como Marcos FM (a citada Sax Sanfona, de Gennaro e Frevo pra Ela, de Nonato Lima), Nilson Lopes (Sandro no Frevo, de Camarão, com participação dos sanfoneiros, Lulinha e Meninão) e Frevaricação (Renato Borghetti) , ou Adail Fernandes (Bipolar, de Toninho Ferragutti).
Todas as faixas trazem a marca registrada da SFO, ou seja, abertura para solos e improvisos de seus integrantes, em diálogo com os sanfoneiros. Produzido pelo maestro Spok e o saxofonista Gilberto Pontes, Frevo Sanfonado, foi gravado no Estúdio Carranca, no Recife, com produção executiva da Jaraguá Produções.




Faixas:
01-De Cazadero ao Recife (Part. Esp. Vitor Gonçalves)
02-Sax Sanfona (Part. Esp. Genaro)
03-Sandro No Frevo (Part. Esp. Lulinha e Meninão)
04-Frevanca (Part. Esp. Chico Chagas)
05-Bipolar (Part. Esp. Toninho Ferragutti)
06-Saudade De Seu Domingos! (Part. Esp. Beto Hortis)
07-Frevaricação (Part. Esp. Renato Borghetti)
08-Frevo pra ela (Part. Esp. Nonato Lima)
09-Maluvida (Part. Esp. Renato Bandeira)

domingo, 28 de maio de 2017

Sivuca - Forró e Frevo - Vol.3 (1983)




Faixas:
01. Feira de São Cristóvão (Sivuca / Glória Gadelha)
02. Eu gosto desse moço (Glória Gadelha / Sivuca)
03. Forró chorado (Sivuca / Glória Gadelha)
04. Mogeiro de cima mogeira de baixo (Sivuca / Afonso Gadelha)
05. Sábado em Jaboatão (Sivuca / Glória Gadelha)
06. Caeté (Luperce Miranda)
07. Estranho vanerão (Sivuca / Glória Gadelha)
08. Forró na gafieira (Sivuca / Glória Gadelha)
09. Caboré molhado (Sivuca / Glória Gadelha)
10. Luzia no frevo (Antônio Sapateiro)

sábado, 27 de maio de 2017

Severino Araújo - A Tabajara no Frevo (1956)



Severino Araújo de Oliveira (Limoeiro PE 1917 - Rio de Janeiro RJ 2012). Clarinetista, compositor, arranjador e maestro. Severino recebe os primeiros ensinamentos musicais de seu pai, o arranjador, mestre de banda José Severino de Araújo, conhecido como Mestre Sazuzinha, de quem passa a ser assistente com apenas 8 anos. Aos 12, começa a tocar clarinete. Quatro anos depois, muda-se com sua família para Ingá, na Paraíba, e começa a escrever arranjos para a banda local. Em 1936, é contratado para ser o primeiro clarinetista da banda da Polícia Militar de João Pessoa. No mesmo ano, entra para a Orquestra Tabajara, formada em 1934. Até 1938, a orquestra é regida pelo pianista Luna Freire, que morre e é substituído por Severino, então com apenas 21 anos de idade. Como novo comandante, decide levar seus irmãos para a banda: Zé Bodega e Jaime (no saxofone), Manuel (trombone) e Plínio (bateria). Cinco anos depois, é convocado a servir o Exército, mudando-se para Aldeia (PE). Naquele período de um ano, compõe Um Chorinho em Aldeia, regravada posteriormente por diversos músicos. Em 1945, o maestro e a Orquestra Tabajara mudam-se para o Rio de Janeiro, contratados pela Rádio Tupi. Lá assinam contrato com a gravadora Continental, pela qual gravam dois discos de estreia. O primeiro 78 rpm traz Um Chorinho em Aldeia, de um lado, e Onde o Céu Azuk É Mais Azul (João de Barro, Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro). O segundo, também de 1945, tem o registro daquele que se torna o tema mais famoso composto por Severino em toda sua carreira, o choro "Espinha de Bacalhau". No ano seguinte, o maestro e a orquestra mantêm alta produtividade, lançando seis discos. Ainda em 1946, gravam Rhapsody in Blue, de George Gershwin, em ritmo de samba, e, em 1947, Um Chorinho pra Você, outro sucesso do maestro.

Com lançamentos fonográficos constantes na passagem da década de 1940 para a de 1950, em 1941, Severino e a orquestra fazem uma série de apresentações por salões e cassinos brasileiros. Na agenda, eventos importantes, como a inauguração da TV Tupi, em 1951, em show em que a Tabajara toca ao lado da orquestra do trombonista americano Tommy Dorsey. No ano seguinte, em viagem com o cantor Jamelão, Severino e os músicos se apresentam em Paris. Após o sucesso, ele e outros músicos decidem permanecer em Paris por um ano. Em 1954, termina o contrato com a Rádio Tupi, assinando com a Mayrink Veiga na sequência. Na década de 1960, o maestro e sua orquestra são contratados pela Rádio Nacional, onde permanecem por dois anos. Em 1975, de volta à Continental, os músicos lançam a coletânea "Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara". Nas décadas de 1980 e 1990, a orquestra mantém suas atividades com shows e tem os seguintes lançamentos: "Orquestra Tabajara de Severino Araújo" e "Anos Dourados". Nos anos 2000, Severino e seu grupo lançam os álbuns "Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara" e "A Tabajara no Frevo". Com mais de 70 anos de atuação, a Orquestra Tabajara lança mais de 100 discos, entre LPs e os de 78 rpm. Em 2007, com um problema na perna, Severino passa o comando da orquestra para seu irmão, Jaime Araújo. Em agosto de 2012, o clarinetista morre no Rio por falência múltipla dos órgãos.




Faixas:
1. Zé Pereira (Tradicional / Adpt. Severino Araújo) 
    78rpm: 16.131 / 1949
2. Último Dia (Levino Ferreira) 
    78rpm: 16.321 / 1951
3. Tudo Dança (Geraldo Medeiros) 
    78rpm: 16.321 / 1951
4. A Tabajara no Frevo (Severino Araújo) 
    78rpm: 16.320 / 1951
5. Vassourinhas (Mathias da Rocha / Joana Batista Ramos) 
    78rpm: 16.120 / 1949
6. Relembrando o Norte (Severino Araújo) 
    78rpm: 16.490 / 1952
7. Assim É Espeto (Edvaldo Pessoa) 
    78rpm: 16.131 / 1949
8. Zé Carioca no Frevo (Geraldo Medeiros) 
    78rpm: 16.120 / 1949

domingo, 29 de janeiro de 2017

C.C.M. Bola de Ouro - Homenageado do Carnaval (2015)


DOWNLOAD: C.C.M. Bola de Ouro - Homenageado do Carnaval (2015)

01. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Int. Walmir Chagas
02. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Int. Coral
03. Minha Bola de Ouro (Zumba)
04. Regresso da Bola (Fincão)
05. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Instrumental

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Beto do Bandolim - Folia das Cordas [2012]



Download: Beto do Bandolim - Folia das Cordas [2012]

PS. Não conseguimos achar o título das faixas. Se alguém tiver, por favor, deixe a lista nos comentários.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Orquestra do Maestro Oséas - Volume II



DOWNLOAD: Orquestra do Maestro Oséas - Volume II

01 Amparo no Frevo
02 Cariri
03 Ceroula
04 Elefante
05 Frevo nº 6
06 Frevo no Bairro do Recife
07 John Travolta
08 Lá Reine
09 Lampião
10 Menino da Tarde
11 Mistura Filho
12 Música Mulheres e Flores
13 O Baralho
14 Olinda frevo e Folia
15 Tabajara no Frevo
16 Tô a Toa

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Orquestra do Maestro Oséas - Volume I



DOWNLOAD: Orquestra do Maestro Oséas - Volume I

01 Baba de Moça
02 Eu e Você
03 Envenenado
04 Show de Frevo
05 Cocada
06 A Cobra Fumando
07 Freio à Óleo
08 Frevo da Meia Noite
09 Transcendental
10 Diabo Solto
11 Pilão Deitado
12 John Travolta
13 Menino da Tarde
14 Frevioca
15 Frevo na Pracinha

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Panorama de folião: discurso e persuasão nas letras do Frevo-de-Bloco

Foto: Katarina Real



Resumo:
Este texto analisa as estratégias linguístico-discursivas desenvolvidas em letras de frevos-de-bloco, a partir da hipótese de que se trata de um gênero também caracterizado pelo discurso persuasivo, elaborado com base na lingaguem da propaganda.

Download: Panorama de folião: discurso e persuasão nas letras do Frevo-de-Bloco

domingo, 1 de janeiro de 2017

Antônio Maria: carnaval antigo...Recife



No Carnaval, minhas calças eram brancas e meus sapatos de tênis. As camisas, sempre feias, variavam. Lembro-me de uma roxa, que desbotava.

Por Antônio Maria*


No Recife, o Carnaval começava no Natal. Ou melhor, não havia Natal no Recife. A 24 de dezembro, os blocos saíam à rua, com suas orquestras de trinta a quarenta metais, seus coros de vozes sofridas, a tocar e a cantar as "jornadas" mais líricas. Chamavam-se "jornadas" alguns dos cantos carnavalescos do Recife, talvez por influência das "jornadas" dos pastoris. Agora, porque os cantos dos "pastoris" se chamavam jornadas, não sei.

Mas, na noite de 24 de dezembro, quando a gente pensava que seria uma noite silenciosa, o Vassourinhas estourava numa esquina, acordando-nos, na alma, uma alegria guerreira, impossível de explicar agora, tanto tempo e tanta fadiga são passados. Nós íamos, primeiro, às janelas, depois para a rua, até que afinal nos misturávamos ao povo, onde cada rei fantasiado, cada rainha de cetim, eram reis de verdade. Mas, reis de quê? De tudo. Da voluntariedade, do absolutismo, do amor e do futuro. O futuro de quem faziam parte.

Não se pode fazer ideia do que era o povo do Recife, solto nas ruas do Recife, após a declaração irreversível do Carnaval. Faziam parte da corte imperial mulheres morenas, que suavam, em bolinhas, na boca e no nariz. Mulheres de olhos ansiosos, presas de todos os atavismos de religião e de dor, a dançar a mais verdadeira de todas as danças – o frevo. Ah, de nada serviam suas heranças de submissão, porque o despontar do Carnaval era um grito de alforria. E seus corpos, seus braços, seus pés, teriam sido repentinamente descobertos, assim que os clarins do Batutas de São José romperam o silêncio a que os humildes eram obrigados. Tão louca e tão bela, aquela dança! Uma verdade maior que as verdades ditas ou escritas saía dos seus quadris, até então bem-comportados.

Se fosse possível descrever, em palavras, a introdução, ao menos a introdução, da marcha do clube das Pás! Mas é possível dar uma ideia do que se passava por dentro de mim, que me sentia, inopinadamente, órfão e livre, desapegado de tudo e de todos. Eu era mais que um guerreiro. Era o vento. Cada homem e cada mulher eram uma parte daquele furacão libertário. Todos se emancipavam (eu digo por mim) e se tornavam magnificamente dissolutos... porque o clarim estava tocando, porque os estandartes se equilibravam no espaço, porque o mundo, naquele exato e breve momento era, afinal, de todos.

Tudo deve estar mudado. O Carnaval do Recife talvez não seja, hoje, um desabafo. Talvez não contenha aquele desafio de homens e mulheres, livres de todas as sujeições e esquecidos de Deus. É possível que se tenha transformado numa festa, simplesmente. Talvez seja alegre e isto é sadio. Mas os meus carnavais eram revoltados. Não tenho a menor dúvida de que aquilo que fazia a beleza do carnaval pernambucano era revolta – revolta e amor – porque só de amor, e por amor, se cometem gestos de rebeldia.

Muitas vozes, de madrugada, o menino acordava com o clarim e as vozes de um bloco. Eles estavam voltando. O canto que eles entoavam se chamava "de regresso". Não sei de lembrança que me comova tão profundamente. Não sei de vontade igual a esta que estou sentindo, de ser o menino que acordava de madrugada, com as vozes de metais e as vozes humanas daquele Carnaval liricamente subversivo.

Meu quarto era de telha vã. Minhas calças, brancas. Meus sapatos, de tênis. Meu coração, inquieto. E nada tinha sido ainda explicado.


*Texto publicado em 7 de fevereiro de 1964