segunda-feira, 9 de outubro de 2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Relembrando o talento de Miro de Oliveira

Miro de Oliveira no sax (Fotos: Acervo da família)

São poucos os pernambucanos de RG ilustre que conseguem mostrar seu talento, como o maestro e compositor Miro de Oliveira. De acordo com sua certidão de nascimento ele é José Hermírio de Oliveira, que nasceu na cidade de Gameleira, em Pernambuco, no dia 21 de maio de 1919 e faleceu no Recife no dia 31 de dezembro de 1991. Ele entrou para a história da Musica Popular Brasileira como compositor de frevo de rua, mas compôs também três premiados maracatus. Miro de Oliveira era tenente da Polícia Militar de Pernambuco onde chegou a ser seu regente por muito tempo.


Miro de Oliveira na Orquestra Bacardi

De acordo com historiadora Maura de Almeida Martins Lima, Miro herdou a veia musical do seu pai, o clarinetista José Severino de Oliveira. Como a família foi morar no Cabo de Santo Agostinho, Miro de Oliveira, incursionou como saxofonista ainda jovem, naquela cidade, destacando-se como o primeiro Saxofone Alto na Banda Filarmônica XV de Novembro Cabense. Atuou no programa Quarto de Hora, na Rádio Clube de Pernambuco, sob a direção do maestro Nelson Ferreira.

Mira de Oliveira numa festa da Bacardi e os bloco Amantes das Flores

Miro de Oliveira também foi regente de várias orquestras entre elas a Jazz Tupan (Circulo Militar do Recife), Bacardi, e Capíbaribe do Recife. Sem esquecer, claro da Banda de Musica da PMPE. Mauralembra que na década de 50, por ocasião do centenário do Conde Matarazzo participou dos festejos em São Paulo, divulgando o nosso frevo. Em Fortaleza, no Ceará, participou da inauguração do Banco do Nordeste, sendo o saxofonista da Orquestra de Mário Mateus.


Miro de Oliveira e a Orquestra 11 de Setembro de Ribeirão

Quando executou uma variação do Frevo Vassourinhas,leia-se Mathias da Rocha e Joana , levou a plateia à loucura, e nela estava o então Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Assim como os grandes mestres, Sivuca e Luperce Miranda, dirigiu o conjunto regional da Rádio Jornal do Commercio. Marta Martins Lima lembra que ele foi professor de técnicas, formador e diretor do Coral da Escola Apolônio Sales, no bairro do Ibura.


Miro e o Coral da Escola Apolonio Sales

Miro de Oliveira tem na discografia os frevos Positivo, Faca de Ponta, Tem Pimenta no Frevo, Fabuloso, Show de Frevo, Estrambólico, Cuspindo Fogo, É de Arrepiar, Super Frevo, Fantástico, Brincando com o Frevo, Novo Recife, Carrapeta, Frevo Diferente, Pinga-Pinga, Chamego Bom, Frevo da Gota, Eita Frevo Macho!, Clarineta de Momo, Frevo Só Assim, Hugo Martins Patrono dos Compositores, Carnaval em Porto Calvo e Catatau.


Miro de Oliveira com a Banda PMPE, em Ribeirão

Foi casado com Zelda Escobar de Oliveira, também já falecida, e pai de cinco homens e uma mulher. Para o maestro e compositor dar limites aos filhos e não protegê-los de frustrações foi uma das maiores heranças que deixou para eles. Para Miro prepará-los para enfrentar as dificuldades da vida que estão por vir, foi uma das suas metas para a família. Apesar de completamente esquecido, pelos que fazem o Carnaval do Recife, Miro de Oliveira, sua grandeza é maior do que a obscuridade que o Recife quer lhe impor.

Miro de Oliveira recebendo um troféu do comandante geral da PMPE, coronel Silvio Cahu

A historiadora Maura Lima encerra seu trabalho sobre este grande músico, desta forma: “Você se foi Maestro, estais agora regendo uma filarmônica no céu. Todavia, um grande artista sempre deixa o seu legado e cuja família tem dado continuidade via os filhos e netos, Netinho voz e violão, Amarílio voz e violão, Black Escobar e Sandro Mitchel Carneval de Oliveira, onde foram encontradas informações para elaboração desta pesquisa e conteúdos que serviram, servem e servirão para auxiliar estudiosos da cultura do nosso país”.

Miro de Oliveira regente da Diamante Jazz


domingo, 6 de agosto de 2017

Dossiê IPHAN - Frevo



DOWNLOAD: Dossiê IPHAN - Frevo


"A Coleção Dossiê dos Bens Culturais Registrados destina-se a tornar amplamente conhecidos e valorizados como Patrimônio Cultural do Brasil os bens de natureza imaterial Registrados pelo Iphan.[...] O 14º volume desta coleção apresenta o Registro do Frevo, inscrito no Livro das Formas de Expressão. O bem é considerado em todas as suas dimensões – música, dança e poesia –, e nas modalidades em que ele se subdivide – frevo de rua, frevo de bloco e frevo-canção, adquirindo uma configuração única"

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Partitura - Recordando Levino Ferreira

Esta partitura foi editada pela aluna Marília Costa Silva, da Orquestra de Sopros de Pindoretama, que participou do Curso de Editoração de Partituras Finale-2010, promovido pelo Ponto de Cultura Amigos da Arte – Pindoretama em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado.

DOWNLOAD: Recordando Levino Ferreira - Zumba

domingo, 4 de junho de 2017

Musica Popular do Nordeste - Frevo (1972) - Discos Marcus Pereira

Marcus Pereira, o ‘guardião’ da música popular e regional

Marcus Pereira não compunha, não tocava instrumentos e não cantava, mas foi um personagem importante para a música brasileira em uma de suas décadas mais frutíferas: a de 1970. Para muitos, era um empresário quixotesco que quis transformar a produção musical regional brasileira em sucesso de mercado e que, com a mesma disposição, atacava as grandes gravadoras e os hits de televisão. Na lembrança dos amigos, sobressai a imagem de um sujeito de coração grande, capaz de empregar gente ameaçada pelo regime militar e “adotar” artistas que considerava talentosos. Todas essas versões se misturam numa personalidade heterogênea, motor de uma empresa que lançou alguns dos mais interessantes discos brasileiros entre 1974 e 1981. De Cartola à Banda de Pífanos de Caruaru, de Ernesto Nazareth (pelas mãos do pianista Arthur Moreira Lima) a Paulo Vanzolini, do Quinteto Armorial a Elomar, a Discos Marcus Pereira abriu espaço para compositores e intérpretes que transbordavam em criatividade, mas encontravam pouco espaço nos escaninhos das majors.

Advogado de formação, Marcus migrou logo cedo para a área de publicidade e abriu sua própria agência na década de 1960. Foi lá que começou a flertar com a produção musical: passou a fazer discos para dar como brinde aos clientes. Mais tarde, em 1973, apostou todas as fichas em uma gravadora independente. Aquele ano foi para arrumar a casa, e apenas cinco discos foram lançados comercialmente (todos feitos como brindes nos anos anteriores: os quatro volumes da coleção “Música popular do Nordeste” e “Brasil, flauta, cavaquinho e violão”). Em 1974, ela apareceu de fato para o mundo, lançando mais de 20 discos em 12 meses. A Discos Marcus Pereira não levava o nome do dono à toa: a empresa vivia, de fato, em função de seus humores e sonhos.

Sonhos que deram origem a discos pioneiros. A robusta coleção “Música Popular do Brasil”, que começou pelo Nordeste e depois teve mais 12 discos destinados às outras regiões, é um exemplo. A aposta em Cartola é outro, mas guarda um detalhe curioso: relutante no primeiro momento, o empresário acabou convencido por seu sócio Aluizio Falcão e pelo produtor musical Pelão a fazer o disco, que acabou sendo saudado como um dos melhores de 1974. Com cerca de 140 lançamentos em nove anos, o catálogo impressiona em quantidade e variedade. E, para defendê-lo em suas convicções culturais e empresariais, Marcus se armou com tudo que podia, lutando contra um mercado já dominado e elegendo inimigos complicados.

Com convicções fomentadas por movimentos da época, como o Centro Popular de Cultura (CPC), por polêmicas como as da MPB contra as guitarras elétricas e por discussões folcloristas, ele ficou ainda mais determinado a se dedicar apenas ao mercado fonográfico após uma viagem a Recife, em 1963, quando conheceu o frevo de perto. Para Marcus, a “legítima” música brasileira devia fazer parte dos números grandiosos daquela indústria.

Enquanto isso, o trabalho com publicidade o desinteressava cada vez mais. No livro sobre O Jogral, bar “de resistência cultural” que frequentava em São Paulo, escreveu: “É difícil gostar de ser cúmplice de interesses que vivem de estimular, ao delírio, o consumo numa sociedade onde apenas uma minoria tem condições de consumir”.

Quando a coleção do Nordeste ganhou os prêmios Noel Rosa (da crítica paulista) e Estácio de Sá (do Museu da Imagem e do Som carioca), ele teve certeza de que a mudança de rumos era acertada. Anos mais tarde, no lançamento da coleção Centro-Oeste/Sudeste, escreveu no encarte: “Essa repercussão, na verdade, deve-se à beleza e comunicatividade de uma riqueza enorme que estava enterrada, neste país de tantas riquezas enterradas, e da qual nós colhemos pequena amostra, que é a cultura de nosso povo”. Os discos da coleção “Música Popular do Brasil” alternavam gravações documentais com as de artistas consagrados, como Elis Regina (Sul) e Martinho da Vila (Sudeste/Centro-Oeste). Este último, aliás, deixou o exército para se dedicar apenas ao samba graças ao estímulo de Pereira.

Ao apostar todas as fichas em discos “de conceito”, sem ter um elenco fixo ou coletâneas de sucesso, Marcus Pereira tentou criar um nicho de mercado, mas logo viu que não seria fácil. Ao longo dos anos seguintes, começou a ter problemas de distribuição e nas parcerias com gravadoras de maior porte para fabricação dos vinis. Seus esforços, em geral louvados pela imprensa, muitas vezes eram também questionados em relação a práticas paternalistas — e ele não se furtava em entrar em discussões por meio dos jornais. Aos poucos, as dívidas foram aumentando e saindo do controle. Além disso, Marcus enfrentava problemas pessoais. Em 1981, depois de voltar de uma viagem de férias, deu fim à vida com um tiro.

Em 1982, a Discos Marcus Pereira encerrou suas atividades. O catálogo foi absorvido pela Copacabana, empresa que também não resistiria muito tempo, passando o material em seguida para a ABW, que relançou “Música Popular do Brasil” (em 1994), entre outros, em CD (tiragens logo esgotadas). Hoje o acervo pertence à EMI, que por sua vez foi comprada por um consórcio liderado pela Sony.

A gravadora foi uma das precursoras na busca da “independência” fonográfica no Brasil — ainda que esse termo ainda não fosse usado. Nos anos 1980, os mercados internacionais começam a atentar mais para as músicas locais. O termo world music, criado no fim da década, passou a reunir todo tipo de canção folclórica ou étnica. Quatro décadas depois do início da aventura de Pereira, se o que ecoa de seu discurso pode soar um tanto datado para alguns, o impacto dos discos que lançou segue reverberando nos ouvidos das novas gerações.

Por Helena Aragão (20/12/2014)


Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/marcus-pereira-guardiao-da-musica-popular-regional-14879049


Baixe a DISCOGRAFIA da Discos Marcus Pereira AQUI.



DOWNLOAD: Frevo (1972) - Discos Marcus Pereira

Faixas:
01 - Saudade
02 - De Chapéu de Sol Aberto
03 - Um Sonho que Durou Três Dias
04 - Recife
05 - Trio Elétrico
06 - Tubarão na Onda
07 - Batendo Biela
08 - Ai Vem os Palhaços
09 - Evocação Nº1
10 - Hino do Batutas de São José
11 - Valores do Passado

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Spok Frevo Orquestra - Frevo Sanfonado (2015)

Desavisados podem supor que Frevo Sanfonado, o terceiro disco de estúdio da Spokfrevo Orquestra, seja forró, por causa da sanfona, ou uma inovação introduzida na instrumentação do frevo. Nem um, nem outro. Há pelo menos dez anos, nos concursos de música carnavalescas realizados no Recife, sanfona, flauta e guitarras tornaram-se instrumentos solo em frevos instrumentais. O sanfoneiro Beto Hortiz, o flautista César Michiles e o guitarrista Luciano Magno forma premiados com frevos de rua compostos para seus respectivos instrumentos.
Quase seis décadas atrás, o frevo já figurava entre os ritmos embutidos no coletivo “forró”. Sobretudo no anos 60. Os sanfoneiros, e tocadores de oito baixos, costumavam estampar frevos no repertório de seus discos. Já em seu pioneiro LP de estreia, Oito Baixos (1957), Gerson Filho toca Frevo Maluco (dele e dos Irmãos Orlando). Lançados entre 1961 e 1963, os três primeiros LPs de Abdias outra lenda dos oito baixos, trazem, cada qual, uma faixa de frevo.
O maestro Spok retoma esta pratica meio esquecida com a SFO gravando uma dúzia de composições, a maioria assinadas por sanfoneiros. Uma seleção abrangente que vai de Sivuca (que gravou, entre 1980 e 1984, a série Forró e Frevo) a Gennaro (ex-Trio Nordestino), passando pelo Mestre Camarão (falecido enquanto este disco era gravado), o gaúcho Renato Borghetti, o paulista Toninho Ferragutti, o jovem cearense Nonato Lima, entre outros.
O que diferencia a música de Frevo Sanfonado, dos frevos gravados com sanfona, é que ela se incorpora à orquestra como mais um elemento, rachando solos com sax, trompete ou trombone, e mesmo com outra sanfona. Em De Cazadeiro ao Recife, o sanfoneiro Vitor Gonçalves (autor da música), e o contrabaixista de Hélio Silva são os solistas. Em Sax Sanfona, Gennaro dialoga com o sax do maestro Spok. Enquanto Frevo Sanfonado (Sivuca), tem Dudu do Acordeom e Johnanthan Malaquias compartilhando os holofotes com o sax de Rafael Carneiro, e o trombone de Thomas de Lima.
O disco tem 14 convidados, boa parte deles de sanfoneiros, enquanto apenas uma das composições é de um integrante da SFO, Maluvida, do guitarrista Renato Bandeira, frevo lançado, em 2013, no disco Renato Bandeira & Som de Madeira (com a SpokFrevo Orquestra).
Obviamente, o frevo com sanfona é diferente do executado por uma orquestra tradicional. Aqui esta diferença é minimizada pelos arranjos que aproximam o acordeom dos naipes da SFO. São vários arranjadores. O maestro Clóvis Pereira, um dos maiores da música brasileira, por exemplo, assina o arranjo de Que Saudades de Seu Domingos, de Beto Hortiz.
O maestro Spok encarrega-se de três arranjos, e os demais foram distribuídos por músicos como Marcos FM (a citada Sax Sanfona, de Gennaro e Frevo pra Ela, de Nonato Lima), Nilson Lopes (Sandro no Frevo, de Camarão, com participação dos sanfoneiros, Lulinha e Meninão) e Frevaricação (Renato Borghetti) , ou Adail Fernandes (Bipolar, de Toninho Ferragutti).
Todas as faixas trazem a marca registrada da SFO, ou seja, abertura para solos e improvisos de seus integrantes, em diálogo com os sanfoneiros. Produzido pelo maestro Spok e o saxofonista Gilberto Pontes, Frevo Sanfonado, foi gravado no Estúdio Carranca, no Recife, com produção executiva da Jaraguá Produções.




Faixas:
01-De Cazadero ao Recife (Part. Esp. Vitor Gonçalves)
02-Sax Sanfona (Part. Esp. Genaro)
03-Sandro No Frevo (Part. Esp. Lulinha e Meninão)
04-Frevanca (Part. Esp. Chico Chagas)
05-Bipolar (Part. Esp. Toninho Ferragutti)
06-Saudade De Seu Domingos! (Part. Esp. Beto Hortis)
07-Frevaricação (Part. Esp. Renato Borghetti)
08-Frevo pra ela (Part. Esp. Nonato Lima)
09-Maluvida (Part. Esp. Renato Bandeira)

domingo, 28 de maio de 2017

Sivuca - Forró e Frevo - Vol.3 (1983)




Faixas:
01. Feira de São Cristóvão (Sivuca / Glória Gadelha)
02. Eu gosto desse moço (Glória Gadelha / Sivuca)
03. Forró chorado (Sivuca / Glória Gadelha)
04. Mogeiro de cima mogeira de baixo (Sivuca / Afonso Gadelha)
05. Sábado em Jaboatão (Sivuca / Glória Gadelha)
06. Caeté (Luperce Miranda)
07. Estranho vanerão (Sivuca / Glória Gadelha)
08. Forró na gafieira (Sivuca / Glória Gadelha)
09. Caboré molhado (Sivuca / Glória Gadelha)
10. Luzia no frevo (Antônio Sapateiro)

sábado, 27 de maio de 2017

Severino Araújo - A Tabajara no Frevo (1956)



Severino Araújo de Oliveira (Limoeiro PE 1917 - Rio de Janeiro RJ 2012). Clarinetista, compositor, arranjador e maestro. Severino recebe os primeiros ensinamentos musicais de seu pai, o arranjador, mestre de banda José Severino de Araújo, conhecido como Mestre Sazuzinha, de quem passa a ser assistente com apenas 8 anos. Aos 12, começa a tocar clarinete. Quatro anos depois, muda-se com sua família para Ingá, na Paraíba, e começa a escrever arranjos para a banda local. Em 1936, é contratado para ser o primeiro clarinetista da banda da Polícia Militar de João Pessoa. No mesmo ano, entra para a Orquestra Tabajara, formada em 1934. Até 1938, a orquestra é regida pelo pianista Luna Freire, que morre e é substituído por Severino, então com apenas 21 anos de idade. Como novo comandante, decide levar seus irmãos para a banda: Zé Bodega e Jaime (no saxofone), Manuel (trombone) e Plínio (bateria). Cinco anos depois, é convocado a servir o Exército, mudando-se para Aldeia (PE). Naquele período de um ano, compõe Um Chorinho em Aldeia, regravada posteriormente por diversos músicos. Em 1945, o maestro e a Orquestra Tabajara mudam-se para o Rio de Janeiro, contratados pela Rádio Tupi. Lá assinam contrato com a gravadora Continental, pela qual gravam dois discos de estreia. O primeiro 78 rpm traz Um Chorinho em Aldeia, de um lado, e Onde o Céu Azuk É Mais Azul (João de Barro, Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro). O segundo, também de 1945, tem o registro daquele que se torna o tema mais famoso composto por Severino em toda sua carreira, o choro "Espinha de Bacalhau". No ano seguinte, o maestro e a orquestra mantêm alta produtividade, lançando seis discos. Ainda em 1946, gravam Rhapsody in Blue, de George Gershwin, em ritmo de samba, e, em 1947, Um Chorinho pra Você, outro sucesso do maestro.

Com lançamentos fonográficos constantes na passagem da década de 1940 para a de 1950, em 1941, Severino e a orquestra fazem uma série de apresentações por salões e cassinos brasileiros. Na agenda, eventos importantes, como a inauguração da TV Tupi, em 1951, em show em que a Tabajara toca ao lado da orquestra do trombonista americano Tommy Dorsey. No ano seguinte, em viagem com o cantor Jamelão, Severino e os músicos se apresentam em Paris. Após o sucesso, ele e outros músicos decidem permanecer em Paris por um ano. Em 1954, termina o contrato com a Rádio Tupi, assinando com a Mayrink Veiga na sequência. Na década de 1960, o maestro e sua orquestra são contratados pela Rádio Nacional, onde permanecem por dois anos. Em 1975, de volta à Continental, os músicos lançam a coletânea "Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara". Nas décadas de 1980 e 1990, a orquestra mantém suas atividades com shows e tem os seguintes lançamentos: "Orquestra Tabajara de Severino Araújo" e "Anos Dourados". Nos anos 2000, Severino e seu grupo lançam os álbuns "Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara" e "A Tabajara no Frevo". Com mais de 70 anos de atuação, a Orquestra Tabajara lança mais de 100 discos, entre LPs e os de 78 rpm. Em 2007, com um problema na perna, Severino passa o comando da orquestra para seu irmão, Jaime Araújo. Em agosto de 2012, o clarinetista morre no Rio por falência múltipla dos órgãos.




Faixas:
1. Zé Pereira (Tradicional / Adpt. Severino Araújo) 
    78rpm: 16.131 / 1949
2. Último Dia (Levino Ferreira) 
    78rpm: 16.321 / 1951
3. Tudo Dança (Geraldo Medeiros) 
    78rpm: 16.321 / 1951
4. A Tabajara no Frevo (Severino Araújo) 
    78rpm: 16.320 / 1951
5. Vassourinhas (Mathias da Rocha / Joana Batista Ramos) 
    78rpm: 16.120 / 1949
6. Relembrando o Norte (Severino Araújo) 
    78rpm: 16.490 / 1952
7. Assim É Espeto (Edvaldo Pessoa) 
    78rpm: 16.131 / 1949
8. Zé Carioca no Frevo (Geraldo Medeiros) 
    78rpm: 16.120 / 1949

domingo, 29 de janeiro de 2017

C.C.M. Bola de Ouro - Homenageado do Carnaval (2015)


DOWNLOAD: C.C.M. Bola de Ouro - Homenageado do Carnaval (2015)

01. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Int. Walmir Chagas
02. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Int. Coral
03. Minha Bola de Ouro (Zumba)
04. Regresso da Bola (Fincão)
05. Bola, Centenária de Ouro (Walmir Chagas, Seu Kayto e Roberval Ramalho) – Instrumental

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Beto do Bandolim - Folia das Cordas [2012]



Download: Beto do Bandolim - Folia das Cordas [2012]

PS. Não conseguimos achar o título das faixas. Se alguém tiver, por favor, deixe a lista nos comentários.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Orquestra do Maestro Oséas - Volume II



DOWNLOAD: Orquestra do Maestro Oséas - Volume II

01 Amparo no Frevo
02 Cariri
03 Ceroula
04 Elefante
05 Frevo nº 6
06 Frevo no Bairro do Recife
07 John Travolta
08 Lá Reine
09 Lampião
10 Menino da Tarde
11 Mistura Filho
12 Música Mulheres e Flores
13 O Baralho
14 Olinda frevo e Folia
15 Tabajara no Frevo
16 Tô a Toa

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Orquestra do Maestro Oséas - Volume I



DOWNLOAD: Orquestra do Maestro Oséas - Volume I

01 Baba de Moça
02 Eu e Você
03 Envenenado
04 Show de Frevo
05 Cocada
06 A Cobra Fumando
07 Freio à Óleo
08 Frevo da Meia Noite
09 Transcendental
10 Diabo Solto
11 Pilão Deitado
12 John Travolta
13 Menino da Tarde
14 Frevioca
15 Frevo na Pracinha

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Panorama de folião: discurso e persuasão nas letras do Frevo-de-Bloco

Foto: Katarina Real



Resumo:
Este texto analisa as estratégias linguístico-discursivas desenvolvidas em letras de frevos-de-bloco, a partir da hipótese de que se trata de um gênero também caracterizado pelo discurso persuasivo, elaborado com base na lingaguem da propaganda.

Download: Panorama de folião: discurso e persuasão nas letras do Frevo-de-Bloco

domingo, 1 de janeiro de 2017

Antônio Maria: carnaval antigo...Recife



No Carnaval, minhas calças eram brancas e meus sapatos de tênis. As camisas, sempre feias, variavam. Lembro-me de uma roxa, que desbotava.

Por Antônio Maria*


No Recife, o Carnaval começava no Natal. Ou melhor, não havia Natal no Recife. A 24 de dezembro, os blocos saíam à rua, com suas orquestras de trinta a quarenta metais, seus coros de vozes sofridas, a tocar e a cantar as "jornadas" mais líricas. Chamavam-se "jornadas" alguns dos cantos carnavalescos do Recife, talvez por influência das "jornadas" dos pastoris. Agora, porque os cantos dos "pastoris" se chamavam jornadas, não sei.

Mas, na noite de 24 de dezembro, quando a gente pensava que seria uma noite silenciosa, o Vassourinhas estourava numa esquina, acordando-nos, na alma, uma alegria guerreira, impossível de explicar agora, tanto tempo e tanta fadiga são passados. Nós íamos, primeiro, às janelas, depois para a rua, até que afinal nos misturávamos ao povo, onde cada rei fantasiado, cada rainha de cetim, eram reis de verdade. Mas, reis de quê? De tudo. Da voluntariedade, do absolutismo, do amor e do futuro. O futuro de quem faziam parte.

Não se pode fazer ideia do que era o povo do Recife, solto nas ruas do Recife, após a declaração irreversível do Carnaval. Faziam parte da corte imperial mulheres morenas, que suavam, em bolinhas, na boca e no nariz. Mulheres de olhos ansiosos, presas de todos os atavismos de religião e de dor, a dançar a mais verdadeira de todas as danças – o frevo. Ah, de nada serviam suas heranças de submissão, porque o despontar do Carnaval era um grito de alforria. E seus corpos, seus braços, seus pés, teriam sido repentinamente descobertos, assim que os clarins do Batutas de São José romperam o silêncio a que os humildes eram obrigados. Tão louca e tão bela, aquela dança! Uma verdade maior que as verdades ditas ou escritas saía dos seus quadris, até então bem-comportados.

Se fosse possível descrever, em palavras, a introdução, ao menos a introdução, da marcha do clube das Pás! Mas é possível dar uma ideia do que se passava por dentro de mim, que me sentia, inopinadamente, órfão e livre, desapegado de tudo e de todos. Eu era mais que um guerreiro. Era o vento. Cada homem e cada mulher eram uma parte daquele furacão libertário. Todos se emancipavam (eu digo por mim) e se tornavam magnificamente dissolutos... porque o clarim estava tocando, porque os estandartes se equilibravam no espaço, porque o mundo, naquele exato e breve momento era, afinal, de todos.

Tudo deve estar mudado. O Carnaval do Recife talvez não seja, hoje, um desabafo. Talvez não contenha aquele desafio de homens e mulheres, livres de todas as sujeições e esquecidos de Deus. É possível que se tenha transformado numa festa, simplesmente. Talvez seja alegre e isto é sadio. Mas os meus carnavais eram revoltados. Não tenho a menor dúvida de que aquilo que fazia a beleza do carnaval pernambucano era revolta – revolta e amor – porque só de amor, e por amor, se cometem gestos de rebeldia.

Muitas vozes, de madrugada, o menino acordava com o clarim e as vozes de um bloco. Eles estavam voltando. O canto que eles entoavam se chamava "de regresso". Não sei de lembrança que me comova tão profundamente. Não sei de vontade igual a esta que estou sentindo, de ser o menino que acordava de madrugada, com as vozes de metais e as vozes humanas daquele Carnaval liricamente subversivo.

Meu quarto era de telha vã. Minhas calças, brancas. Meus sapatos, de tênis. Meu coração, inquieto. E nada tinha sido ainda explicado.


*Texto publicado em 7 de fevereiro de 1964

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Bloco da Saudade - Coral e Orquestra


Download: Coral e Orquestra


  1. Valores do passado - Madrigal - Folia geral
  2. Saudade, 30 anos
  3. Reminiscência
  4. Tributo a Bajado
  5. Recordar é viver
  6. Recife, cidade lendária
  7. Louvores
  8. Sonhos e luz
  9. Velhas batalhas
  10. Coração não envelhece
  11. Mundo em festa
  12. Carta, Toinho
  13. Carnaval da vitória
  14. Charmaine no Bloco da Saudade
  15. Recife Manhã de Sol

Bloco da Saudade - A vida é um carnaval



Download: A vida é um carnaval
  1. Risos Dourados
  2. Dois Amores
  3. Ao som do violão
  4. 35 anos de Saudade
  5. O amor vem da sorte
  6. Valores do presente
  7. A vida é um carnaval
  8. Saudoso irmãos
  9. Mágoa
  10. Pout-Pourri
  11. Alegria centenária
  12. Dia azul
  13. Aquelas rosas
  14. Recifloração
  15. Bairro dos meus amores
  16. Adeus foliões

Olinda Carnaval - Vol. 2



DOWNLOAD: Olinda Carnaval - Vol. 2

  1. La reine  -Frevo de rua - 1928 (Maestro Casaquinha)
  2. Marim dos Caetés  - Marcha de bloco - 1944 (Clídio Nigro – Fernando C. Neto – Bloco Guaiamum na vara)
  3. Sou de Olinda - Marcha de bloco -  1935 (Poeta Pindaro Barreto – Bloco Batutas de Olinda)
  4. Vamos encostar - Frevo - 1966 (Maestro Nunes)
  5. Missão da Bernadete - Marcha de Bloco - 1980 (João Santiago)
  6. Regresso da pitombeira - Frevo regresso - 1950 (Alex Caldas)
  7. Cinqüentenário de Vassourinha de Olinda - Frevo de rua - 1962 (Clídio Nigro)
  8. Rua do Amparo - Frevo Canção - 1920 (Lídio Macacão)
  9. Trinca de Az - Marcha de Bloco - 1935 (Lafaite Lopes – Wilson Vanderley)
  10. Tarde dourada - Marcha de bloco - 1944 (Macário – Bloco Camelo de Olinda)
  11. A zebra - Frevo canção - 1976 (José Carlos Rosa)
  12. Regresso do elefante - Frevo regresso - 1954 (Clídio Nigro – Fernando C. Neto)

Programa Opinião Pernambuco - Frevo


Com apresentação de Valdir Oliveira, direção de Bráulio Brilhante e produção de Josimar Paraíba e Ricardo Araújo, o Opinião Pernambuco de 18 de fevereiro de 2015 falou sobre Frevo com os seguintes convidados:
- Hugo Martins: radialista e apresentador da Universitária 99.9 FM;
- José Constantino: presidente do Conselho da Troça Abanadores do Arruda.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Coral Comcape - O Tema é Frevo - Documento (Vol. 08)


01. Apenas uma Lágrima
02. Asas de Granito
03. Exaltação ao Bloco
04. Recife de Olinda
05. Na Linha Certa
06. Pensando Bem...
07. Solidão no Marco Zero
08. Rua da Concórdia
09. Conduzindo a Folia
10. Os Blocos
11. Volta, Folia!
12. O Carnaval Não Acabou
13. Bandolim Cigano
14. Mirian Leite, O Bloco Tá Na Rua
15. Eu Sou, Eu Sou o Frevo

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Inaldo Moreira - Frevos de Rua do Novo Milênio 2


  1. Narração
  2. Lucivalte no Frevo
  3. Dona Carma na Gandaia
  4. Futfolia no Novo Milênio
  5. Sem Ar é de Matar
  6. Cadê o Ventilador, Zé?
  7. Esse Apagão é uma Esculhambação
  8. Com Óleo e Sem Freio
  9. Constantino Leva a Vida no Abano
  10. Saudade de Buguá!
  11. Duda tem Sete Fôlegos, Bicho!
  12. Narração
  13. Muribola
  14. Renan Anda de Banda
  15. Só Vou de Val
  16. Lenilza na Maganagem
  17. Ou Casa ou Desce!
  18. Com Nenéu Não Tem Escarcéu
  19. Não corte meu ponto, Diógenes!
  20. Ligando as trompas
  21. Tatianíssima
  22. Olha a cabeleira do Spok!
  23. Narração